terça-feira, 4 de novembro de 2008

Obama vai ganhar

Quanto a isso eu não tenho a menor dúvida, Barack Hussein Obama Júnior já ganhou. Ele tem que ganhar. Como grande parte dos não estadunidenses do mundo eu torço para que ele não só vença as eleições de hoje como vença de lambuja, com uma imensa margem de vantagem. Além disso ser o ideal porque vai esculachar o Mccain, evitará a repetição da falcatrua das eleições de 2000. Obama nao só tem que ganhar essa parada como precisa colocar o Mccain para limpar o quintal. E ele vai limpar com o seu habitual sorriso amarelo.

Não só os não estadunidenses estão confiantes, como a grande maioria dos latino-americanos com cidadania americana. A maior parte dos migrantes e descendentes de migrantes dos EUA estão a favor de Obama. E todos os seres que habitam o mundo estão de olho nessa eleição, desde já a que obteve o maior número de votantes, crucial para os rumos do planeta.

Día de muertos


Ontem à noite, como faço em quase todas as segundas-feiras à noite antes de dormir, fui dar uma olhada no Fantástico pela globo.com. Não foi com surpresa que eu constatei que nesse programa dominical do dia 2 de novembro, pleno dia dos mortos, não houve nenhuma materiazinha sequer, nenhuma breve menção ou uma rápida frase referente a esse "dia".

Eu me lembro que em alguma vez ao longo da minha vida, eu vi em telojornais matérias sobre o dia de finados, imagens de pessoas levando flores à tumba de seus parentes falecidos, pessoas visitando túmulos de mortos famosos etc... Me lembro de uma matéria em que um sócia do Raul Seixas estava cantando e tocando violão em cima da lápide de seu ídolo. Tudo bem que o dia dos mortos não tem no Brasil a mesma importância que tem no México. Em nossa cultura a relação com a morte é completamente diferente, muito mais ocidental, muito mais católica e por isso muito mais "respeituosa" e solene. Não foi à toa que o Glauber ao incorporar o espírito e a tradição do olhar perante à morte presente no México ao filmar o Di teve o seu filme censurado pela família do pintor. O que aqui é homenagem, celebração, festa, alegria, no Brasil é desrespeito.

E é claro, se resulta interessante visualmente filmar o día de muertos daqui, com todos os seus deslumbrantes arranjos, ornamentos e adornos combinados com flores, bisnagas e doces das mais variadas cores, as incontáveis velas iluminando o cemitério, as melodias e as oferendas; no Brasil não há a menor graça. Que graça tem registrar um bando de gente triste levando flores no cemitério? Até que o Fantástico tem um pouco de razão em não reportar o dia dos mortos, porque realmente nenhuma matéria sobre esse dia no Brasil seria capaz de apresentar alguma força plástica, visual, sensorial ou qualquer outro apelo apto a prender a atenção do espectador e convencê-lo a não mudar de canal.

Nada contra à tristeza, muito pelo contrário. Cada um expressa os seus sentimentos em relação aos seus entes queridos que se foram da maneira que bem entender. Mas que é evidente que a forma alegre e festeira é muito mais divertida para quem ainda está vivo, isso é.

E essa forma além de ser mais interessante para quem ainda está no lado de cá, também é mais cativante como imagem em si. Tente fazer um teste: digite no yotube "dia dos mortos no Brasil" e tente ver quantos vídeos vão aparecer. Depois faça o mesmo com "día de muertos" e reflita você mesmo sobre a comparação. Há no yotube alguns vídeos sobre a festa em Pátzcuaro e na ilha Janitzio, para onde eu rumei no dia 1 de novembro especialmente para passar a noite do dia 1 para o dia 2. A ilha fica em Pátzcuaro, cidade que pertence ao estado de Michoacan e é considerado o melhor lugar para se passar o dia dos mortos no México. Melhor porque mais típico, mais tradicional, mais original e mais representativo dessa celebração no país. Como esse é o meu primeiro ano por aqui e como infelizmente eu não tenho o dom de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo (embora algumas pessoas já tenham me dito que possuo o poder da onipresença) nao pude comprovar se essa afirmaçao procede. Mas, de qualquer jeito, achei a festa sensacional.

sábado, 25 de outubro de 2008

Outubro já acaba


Outubro de 2008 já está se aproximando de seu fim.
Agora, estou na Cidade do México pela quinta vez depois de passar três dias em um congresso de cinema em Toluca. Provavelmente nos próximos posts falarei do congresso, por agora estou ainda no embalo da experiência recete de ter visto Rojo amancer em uma projeção ao ar livre no próprio local onde ele foi rodado, que por sua vez,foi no próprio local onde aconteceu os eventos retratados pelo filme. O filme por si só, que até hoje eu nunca tinha visto completo, não é lá muito bom. A sua importancia, digamos assim, reside mais no fato dele expressar um assunto tabu, um assunto proibido em um momento propício. O seu valor é acima de tudo extra cinematográfico. E foi justamente por esse valor que foi foda a sua exibição de hoje.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Essa é a turma


Essa é a turma da Maestría en Estudios Cinematográficos do Departamento de Imagen y Sonido do Centro Universitario de Arte, Arquitectura y Diseño da Universidad de Guadalajara. Trata-se de ser o único mestrado de cinema do México. Fundado mais ou menos em 2000, o mestrado só abre exames para novas turmas de dois em dois anos. Portanto, apesar do programa ter 8 anos de existência, só formou 3 turmas, estando em curso a quarta geração, da qual faço parte. Nessa foto estão a professora Carmen Eliza Gómez Gómez e os alunos depois de uma aprazível aula.

Cinemas nacionais contra Hollywood

O título desse post é uma paródia ao título de um livro com o mesmo nome escrito por um crítico francês "radical", de "extrema esquerda", super "politizado" chamado Guy nao sei das quantas. Agora me fugiu o sobrenome do cara, daqui a pouco eu lembro. Eu sei que não se trata do Guy Malpassado, famoso escritor, nem do Guy Nasbordas, famoso cineasta experimental e teórico, autor de A sociedade do espétaculo e líder da Intentona Situacionista.

O tal crítico se chama Guy nao sei das quantas, é o que importa no momento. O livro dele é super datado, ultrapassado e a sua leitura nos dias de hoje só vale a pena pelo seu caráter documental, de registro de uma época e pela curiosidade de se travar contato com um pensamento e um discurso que já ficou para trás. Mas, esse livro me veio à mente no dia de hoje pela dificuldade que eu estou enfrentando em conseguir ver os filmes mexicanos antes que eles saiam de cartaz. A mesma dificultade que eu tinha no Brasil em conseguir acompanhar todos os filmes brasileiros que entravam em cartaz, eu estou tendo aqui em relação aos mexicanos.

Se no Brasil, os filmes brasileiros são jogados no mercado de maneira extremamente negligente, aqui acontece o mesmo. Essa é a trajetória tipíca dos filmes nacionais daqui: um filme mexicano entra em cartaz, na semana seguinte ele já está ocupando apenas uma sala e em um único horário, na outra semana ele já saiu de cartaz. Foi assim que eu perdi Las vidas de Lelia (Dir: Antonio Chuvarrías, Espanha, México, 2006). Quando eu vi o filme já estava em uma única sala, em um único horário e em um cinema longe pra caralho. Assim não dá, aí já é muito sacrifício para um cinéfilo estrangeiro curioso e interessado em acompanhar a produção mexicana contemporânea. Com La sangre iluminada (Dir: Iván Ávila Dueñas,México,2007) e com Mejor que Gabriela no se muera (Dir: Sergio Umansky, México,2007) foi ainda pior. Tinha me programado para ver esses filmes mas, por estar enrolado com os trabalhos do mestrado e outros projetos, tive que ficar uns dois finais de semana tracanfiado em casa e quando finalmente estive livre para vê-los: já era, eles já tinham se pirulitado das telas da cidade.

Se essa dificuldade rola comigo, imagine com o público majoritário, com o público comum. A maioria nem sabe da existência desses filmes. Não há divulgaçao, não há nenhum incentivo para se ver esses filmes. Ou seja, os filmes mexicanos nao dialogam com a sociedade mexicana, nao provocam discussões, nao geram debates. Exatamente o mesmo, em gênero, número e grau, ocorre com o cinema brasileiro. Não se sabe para quem são feitos os filmes. Os filmes são autistas, falam sozinhos, vivem isolados em seu próprio mundo. Não possuem contato com o público, a crítica os ignora, os pensadores de outras aréas estão pensando e escrevendo sobre outros assuntos, etc...

Fazer um filme de gênero, com "linguagem acessível" ou um filme "de arte", "autoral" nas cinematografias periféricas dá no mesmo, não faz diferença nenhuma. Os dois "tipos" de filmes são colocados no mercado na mesma forma. O filme mais comercial ou o "similar nacional" do cinema Hollywoodiano não tem a menor chance. Não adianta ter um orçamento de milhões, apresentar todos os atores da novela da moda e se filiar a um gênero codificado. Ele não terá a possibilidade ou a oportunidade de ficar semanas em cartaz em todos os horários, para assim estar mais disponível ao público. É curioso o fato de que exibidores sempre esperam (isso é o que parece) que qualquer filme nacional, seja no Brasil, na Argentina ou no México lotem na primera semana todas as salas. E como isso nunca acontece, na semana seguinte lá estão eles em apenas um horário. Não é possível que algum filme sem um mínimo de publicidade lote na primeira semana. Agora para os filmes americanos, os pinchi exibidores não tem essa impaciência toda não. Qualquer filme americano super aguardado que na primeira semana é um tremendo fracasso, uma semana depois não estará no purgatório da única sala - único horário. Isso nunca acontece. E olha que eu já pude constatar tanto no Brasil quanto aqui essa situação.

Hoje fui ver Todos los días son tuyos (Dir. José Luis Gutiérrez Arias, México, 2007) que só estava com uma sessão às 4 horas da tarde e Mezcal (Dir: Ignacio Ortiz, México, 2004) que só estava com uma sessão às 7 de noite. O primeiro não esconde em nenhum momento o seu desejo de travar contato com o grande público. Super calcado no gênero policial, recheado com todas as suas iconografias, símbolos e clichês, com roteiro milimetricamente pensado, cheio de viradas, climax e respiros nos momentos certos, contava com apenas três pessoas na sala ( eu incluido). O segundo, que não por acaso é de 2004 e só entrou em cartaz nesse ano, "exige" mais do espectador. Trata-se de um filme, se é para catalogar, mais "de arte", com uma estética e narrativa distanciada do cinemão. Na sala tinham uns 40 espectadores.

Pode-se argumentar que o segundo estava em um horário mais acessível que o primeiro. Afinal, muita gente ainda estuda ou trabalha às 4 da tarde e às 7 da noite não. Tudo bem, mas eu acho que não é só isso não. O fato é que os filmes nacionais, sem exceção, estao no mesmo limbo.
E é preciso tirá-los de lá.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ripstein no Rio

O diretor ARTURO RIPSTEIN estará presente na sessão de A rainha da noite.
Hoje, terça, 7 de outubro, às 19h15, no Espaço de Cinema 1. O diretor está no Rio para acompanhar sua mostra-homenagem dentro do Festival do Rio, e para receber o prêmio de Personalidade Latino Americana do Ano.

Sobre o filme:
A rainha da noite (La Reina de la Noche) de Arturo Ripstein.
Com Patricia Reyes Spíndola, Alberto Estrella, Blanca Guerra, Ana Ofelia Murguía. México / França / Espanha, 1994. 117min.

Em 1929, após uma doença na garganta, a popular cantora mexicana Lucha Reyes abandonou o estilo soprano e passou a cantar “rancheras”. Se apresentando com bandas de Mariachis, exclusividade masculina à época, criou um estilo próprio e chocou a sociedade. Passando as noites em animadas festas e orgias, Lucha teve a vida marcada por relacionamentos fracassados, casos homossexuais e pelo alcoolismo assumido publicamente. Aos poucos, sua carreira entrou em decadência e, em 1944, ela pôs fim à própria vida. Esta é sua biografia imaginária.
Em Competição no Festival de Cannes 1994. (LI) - 18 anos
TER (7/10) 19:15
Espaço de Cinema 1

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Brasil e Colômbia em debate

O meu xará Estevão Ciavatta e o colômbiano Roberto Flores conversam com o público sobre a violência urbana na Colômbia no debate: UMA SAÍDA À VISTA: PAZ E GUERRA NA COLÔMBIA E NO BRASIL nessa próxima sexta-feira, dia 3 de outubro, às 16h, no Pavilhão do Festival do Rio. entrada franca

A mesa contará com : Roberto Flores, diretor colombiano, Estevão Ciavatta, Damian Platt, Coord. Parcerias Internacionais do AfroReggae, Rodrigo Pimentel, autor do livro A Elite da Tropa .

Os filmes em debate são: Feridas, de Roberto Flores (Colômbia, 2008) - uma ficção sobre o cativeiro na guerrilha e os massacres paramilitares. O Veneno e o Antídoto, de Estevão Ciavatta (Brasil, 2007) - um documentário brasileiro, feito em parceria com o Grupo Cultural AfroReggae, sobre a experiência colombiana, que passou de epicentro de violência a exemplo de política de segurança pública bem sucedida.

Com certeza é bastante interessante ver a exposição de dois olhares sobre um mesmo tema e uma mesma realidade: uma local e outra estrangeira. É uma pena que antes do debate não vai rolar a projeção dos dois filmes ou de pelo menos fragmentos representativos de cada um. Vão passar antes os trailers, que apesar de a princípio não serem suficientes, já é alguma coisa. Mas, a simples iniciativa do debate entre esses dois filmes e com os seus diretores já é super bacana e por isso vale a conferida.